Discurso do Embaixador por ocasião da apresentação de votos para o ano novo
Caros colegas,
Caros amigos,
Senhoras e Senhores,
A minha esposa e eu estamos felizes em acolhê-los esta noite nos salões da Residência de França, para a recepção tradicional por ocasião do novo ano. Gostaria de saudar particularmente os colaboradores dos diferentes serviços franceses em Moçambique, a Agência Francesa de desenvolvimento, o Centro Cultural Franco-Moçambicano e a Escola Francesa de Maputo que se juntaram para a circunstância, aos seus colegas da Chancelaria Diplomática, do Consulado e da Missão Económica. Os meus agradecimentos vão igualmente para os representantes das nossas empresas neste país e aos membros do Conselho de Administração da Escola que se encontram entre nós esta noite.
O ano de 2009 acaba de findar. Como é de tradição, esta recepção é a ocasião para se efectuar um rápido balanço do ano ora findo.
2009 foi com efeito, rico em acontecimentos pelo mundo.
Em Moçambique, particularmente, ele ficou marcado pelo triplo escrutínio de 28 de Outubro que permitiu a reeleição do Presidente Armando Guebuza para um novo quinquénio. Convém sublinhar que não obstante um processo eleitoral que suscitou algumas reservas, o processo de votação desenrolou-se num ambiente calmo tal como o foi, no essencial, a campanha eleitoral.
Por outro lado, Moçambique, que no decurso dos últimos anos, geriu com sabedoria o quadro macro-económico do país, foi menos afectado pela crise financeira mundial que a maioria dos outros países africanos. O seu crescimento, ainda que tenha abrandado em relação aos anos anteriores, mantém-se amplamente acima da média africana e deverá aumentar sensivelmente já neste ano de 2010. Os indicadores socio-económicos continuam a evoluir de maneira positiva e a estabilidade política é um factor encorajador para os investidores internacionais.
Enfim, é de realçar a inauguração a 1 de Agosto último, da Ponte de Caia sobre o Rio Zambeze que permite ligar o norte ao sul do país sem ter que se recorrer a um ferryboat. Esta infra-estrutura, preponderante para o desenvolvimento económico e a unidade de Moçambique foi, como devem saber, amplamente financiada pela União Europeia.
Em França, graças à ambiciosa política de retoma económica conduzida pelo Governo, o impacto da crise mundial pôde igualmente ser minimizado. Porém, a diminuição do crescimento económico favoreceu um recrudescimento do desemprego. Se as perspectivas para 2010 e os anos seguintes parecem melhores, será todavia necessário recuperar-se as finanças públicas afectadas pela diminuição das receitas do Estado e pela injecção de fundos importantes na economia. Esta imperiosa obrigação impor-se-á a todos, principalmente aos funcionários do Estado, e conduzir-nos-á a redobrar esforços par gerir o melhor possível os meios humanos e financeiros postos à nossa disposição.
No continente africano, convém lembrar que em 2009 houve uma grave crise política em Madagáscar que não está ainda resolvida, tal como os acontecimentos dramáticos na Guiné Conacri que revoltaram a consciência humana. No Zimbabwe, o Governo de União Nacional fatiga-se em encontrar o equilíbrio. Apesar da melhoria das relações entre o Sudão e o Tchad, a crise do Darfour está longe de ser resolvida e continua a mobilizar meios militares e financeiros importantes para assegurar a sobrevivência de centenas de milhares de refugiados que se encontram a Este do Tchad. A pirataria, nascida da extrema fraqueza das estruturas Estaduais somális, prosseguiu e estendeu as suas actividades em 2009 tornando mais difícil o comércio marítimo mundial no sudeste do Oceano Indico e no Golfo arábico e pérsico. As violências esporádicas continuam a produzir-se em certos países como a RDC ou Nigéria e os actos de terrorismo multiplicam-se na região do Sahel e do Saara.
Apesar deste triste balanço, parece-me importante realçar que, globalmente, a África integra-se a cada ano, um pouco mais no concerto económico mundial e progride, ainda que muito lentamente, na via da paz, do desenvolvimento económico e da democracia. A França continua a ser um parceiro essencial neste continente e o seu mais ardente defensor nas esferas internacionais. A nossa história, os elos humanos tecidos com este continente, a partilha de uma língua comum com numerosos países africanos, a nossa presença económica e a geografia sustentam o prosseguimento desta nobre missão.
Senhoras e Senhores,
Caros colegas,
Estamos face a grandes desafios, talvez os mais importantes que o homem jamais tenha tido que enfrentar desde os inícios da civilização moderna.
Devemos doravante preparar a era pós petróleo, temos de enfrentar a rarefacção dos recursos em água potável, temos de dar trabalho a cada ser humano e garantir-lhe o acesso aos serviços sociais mínimos. Pouco a pouco, os homens de todos os continentes compreendem o significado da palavra “globalização”. Nenhum Estado, seja ele o mais poderoso e o mais rico, pode responder isoladamente aos desafios e às ameaças que envolvem doravante toda a humanidade
Neste período de transição a França teve um papel preponderante, no decurso dos últimos meses, nos grandes encontros internacionais que visam responder às questões actuais. Foi por nossa iniciativa que o segredo bancário pôde ser levantado pois, frequentemente, servia apenas para dissimular transações duvidosas e especulativas. Foi graças à nossa insistência que cada país se esforçará de agora em diante para controlar os montantes dos subsídios por vezes escandalosos que eram pagos a certos dirigentes de empresas ou a certos operadores de bolsas de valores.
Foi por proposta nossa que o G8 tornou-se G20, de tão evidente que era o facto de a governação mundial já não poder ser assegurada sem a participação dos grandes países emergentes.
Mas, foi na luta contra o aquecimento climático, ao lado dos nossos parceiros alemães e britânicos, que a nossa diplomacia interveio com mais comprometimento.
Foi realizada uma grande conferência no fim do ano passado sobre o assunto em Copenhaga. As consequências do aquecimento climático serão efectivamente dramáticas para os homens e mulheres deste planeta. É sabido que os resultados deste grande encontro internacional não estiveram a altura das expectativas de grande parte da humanidade. É do vosso conhecimento o empenho pessoal do Senhor Presidente da República neste dossier. Os resultados pouco satisfatórios desta conferência, longe de nos desencorajarem devem, ao contrário, estimular-nos e encorajar-nos a prosseguir os nossos esforços, em estreita cooperação com os nossos parceiros europeus, a fim de convencer os dirigentes de todos os países da absoluta necessidade de se chegar a um acordo global e equilibrado que comporte compromissos concretos verificáveis e sanções. O futuro do nosso planeta está em jogo e a nossa mobilização e determinação não se enfraquecerão. Copenhaga foi uma etapa, haverão outras, em Bona e México já em 2010. Progrediremos então juntos, graças nomeadamente à tomada de consciência da irreversibilidade dos objectivos que defendemos.
Caros colegas,
Senhoras e Senhores,
A grave crise financeira que, em dado momento ameaçou levar as nossas economias, o trabalho bem como a poupança de milhões de homens e de mulheres, e os desafios que nos lança o fim anunciado da civilização do omnicarbono demonstraram que os mecanismos do mercado, por eles só, eram completamente insuficientes para preparar o futuro do nosso mundo. Os Estados ficaram isolados para restabelecer a confiança, efectuar a retoma da economia, socorrer o sistema bancário, tal como se encontram sós face aos perigos do aquecimento climático. Após várias dezenas de anos votados para a desregulação em que ao excesso de endividamento de uns, respondia o excesso e a poupança de outros, em que reinava a especulação financeira, em que, mesmo com a rarefacção dos recursos, outros continuavam a consumir excessivamente as energias fósseis, é agora necessário inventar um mundo diferente, mais regulado e mais justo, um mundo cujo crescimento económico será descarbonado. Eis as vastas obras doravante abertas e a às quais a França dará ainda este ano a sua contribuição a altura das responsabilidades internacionais e da sua história.
Senhoras e Senhores,
Caros colegas,
O ano 2010 começa. Desejo que ele traga a cada um de vós e às vossa famílias o melhor e que ele permita a vossa realização pessoal e profissional bem como a dos que vos são próximos.
Formulo, para vós e para todos os que vos são queridos, muitos votos de saúde, felicidade e prosperidade.
Os meus melhores votos de um bom ano 2010.
Convido-os agora a brindarmos por um feliz 2010 para todos.