A França em Moçambique
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Discurso por ocasião do Dia Internacional da Francofonia

Caros colegas do Corpo Diplomático
Senhoras e Senhores,
Caros amigos,

Estou particularmente feliz por celebrar hoje, dia 20 de Março de 2010, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, o Dia Internacional da Francofonia.
Gostaria de agradecer calorosamente, em primeiro lugar, a todos os que, já há vários meses, trabalharam para nos oferecem ao longo de toda esta semana, diversas manifestações de grande qualidade. As mesmas são o testemunho da vitalidade dos países e das culturas que se reuniram nas organizações da Francofonia.

Permitam-me particularmente dizer ao Professor Louis Arsac o quanto apreciámos a notável conferência que acaba de nos apresentar sobre Claude Lévi Strauss.

Senhoras e Senhores,

Festejamos este ano o 40° aniversário da Organização Internacional da Francofonia.
É talvez a ocasião para lembrar que um país membro da ONU, em cada três, é igualmente membro de pleno direito, associado ou observador, da Organização Internacional da Francofonia. É particularmente o caso de Moçambique que é membro observador da OIF e regozijamo-nos disso.

Talvez seja igualmente a ocasião para lembrarmo-nos que 200 milhões de pessoas nos cinco continentes partilham a língua francesa e que 900 000 professores de francês ensinam em cada ano, a nossa língua comum à mais de 50 milhões de alunos.
Alguns preocupam-se com o estatuto da nossa e crêem adivinhar o seu declínio face ao triunfo julgado inelutável da língua inglesa algumas vezes apresentada como sinónimo de globalização.

A minha convicção é bem diferente: a globalização não põe a nossa língua fora da moda, e nem nenhuma outra. Ela torna-a ainda mais necessária ao futuro de cada um de nós e de cada um dos nossos países, ao equilíbrio e à harmonia do mundo, pois o sentimento de pertença a uma colectividade humana e a identidade nacional são bases indispensáveis de uma maior abertura aos outros.
A uniformidade seria um formidável empobrecimento cultural e intelectual para o conjunto do mundo. A Francofonia é pois mais necessária hoje do que o foi ontem.

O francês é uma grande língua das ciências, tecnologias, economia e cultura e nós damos muita importância à diversidade linguística o que lhe permitirá conservar o seu estatuto de língua mundial de comunicação. Este comprometimento não é nem “passeísta”, nem nostálgico, mas é pelo contrário, moderno e mensageiro de futuro: o esplendor do francês inscreve-se no respeito e na promoção da diversidade das línguas e das culturas.

A francofonia, para além do uso do francês, representa também a solidariedade entre os francófonos e a contribuição dos estados francófonos na resolução dos grandes desafios mundiais dos nossos tempos. Porque ela reúne países industrializados e países em desenvolvimento, porque ela representa as grandes áreas religiosas e civilizações do mundo, porque ela funda-se em valores humanistas universais, a Organização Internacional da Francofonia dispõe de um potencial importante de resolução de conflitos e diferendos.

O respeito dos Direitos Humanos, do Estado de direito e dos princípios democráticos tornaram-se assim, desde a Declaração de Bamako, elementos fundamentais do nosso património comum.

Mas os grandes desafios da preservação do nosso meio ambiente, da luta contra o aquecimento climático, do fim da civilização do omnicarbono ou da afirmação, a cada dia mais forte, de um comércio globalizado, oferecem novas perspectivas à nossa reflexão comum e às respostas humanistas que o mundo espera impacientemente.

Senhoras e Senhores,

A Francofonia é imediatamente assimilável à defesa e promoção da língua francesa mas, na verdade, a experiência que é a sua, o exemplo que ela quer dar, mostra que o conjunto de organizações que ela reúne é infinitamente mais ambicioso.
A Francofonia hoje é o mais ardente defensor do humanismo, dos seus valores de respeito e de dignidade dos homens. E o humanismo deve ser universal, isto é, enraizamento nas suas próprias raízes linguísticas e culturais e abertura ao outro.

O enraizamento sem abertura conduz inexoravelmente ao isolamento e ao declínio, e a abertura sem enraizamento conduz ao empobrecimento e ao desaparecimento.

O dia internacional da Francofonia é marcado este ano pela celebração dos 40 anos da Organização Internacional da Francofonia. Mas o que pode representar a Francofonia num mundo globalizado, uniformizado, nesta aldeia planetária? O que é que ela pode hoje veicular ou trazer como ideias inovadoras?

A Francofonia casa indissociavelmente este dois conceitos e participa assim activamente na construção de um mundo melhor e mais justo.

Muito obrigado.

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