Discurso do Embaixador por ocasião da abertura da semana Mar Nosso-Notre Mer

Embaixador de França como moderador de uma das mesas-redondas
: Dr. Guillaume THIERIOT, Conselheiro de Cooperação e de Acção Cultural – Embaixada da França
- Dr. Benjamin AUGÉ (Chercheur associé, Institut Français des Relations Internationales) : Les litiges frontaliers liés aux gisements pétroliers et gaziers
à direita - Dr. Elie JARMACHE (Secretariado Geral do Mar
Sra Virginie DAGO, Directora da AFD e Dr. Serge SEGURA Embaixador de França
Participantes
Apresentação da ultima mesa-redonda
Equipa de traducção
- Sr. Thierry DEVIMEUX (Secretario geral da Prefeitura da Reunião para os Assuntos Regionais

Caros amigos,
Queria antes de tudo agradecer a todos os conferencistas franceses e moçambicanos que se sucederão uns aos outros nas oito mesas redondas deste colóquio até 25 de Abril. Queria igualmente agradecer ao público pelo seu interesse e muitos dentre vós pela fidelidade nos debates de ideias organizados pela Embaixada de França em colaboração com o Centro Franco-Moçambicano.
Desde que Embaixada de França lançou a ideia de fazer de 2014 um Ano do Mar, termo talvez um pouco pretensioso, encontrei-me com muitas pessoas que me perguntaram porquê essa vontade “marítima” por parte da embaixada.
Dado que estamos a proceder à abertura deste seminário que deverá ser o momento mais importante do nosso Ano do Mar, devo-lhes portanto algumas explicações.
Após alguns meses de presença em Moçambique, fiquei impressionado com o facto de haver pouca discussão sobre o mar e sobre as actividades marítimas. É verdade que se fala sobre a construção de portos para exportação de carvão e outros recursos terrestres, é verdade também que se fala de exploração dos recursos de gás e também se falou de projectos sobre a pesca do atum. A minha impressão foi, no entanto, que o mar não foi tratado como um tema em si, como um actor por si mesmo, como um actor de desenvolvimento, mas sim como um simples lugar onde as actividades se iriam desenrolar, como um mero objecto servindo de pano de fundo para as actividades humanas cada vez mais numerosas.
Apaixonado que sou pelo mar, eu não posso contentar-me com isso, daí a ideia deste Ano do Mar que procura abordar todas as facetas do tema dos oceanos : económica, cultural, jurídica, científica, técnica, ambiental, geográfica, política e diplomática.
No que respeita à França, tudo isto parte de várias constatações:
1/ A França é um Estado do Oceano Indico do Sudoeste graças aos nossos dois ”departamentos” ultramarinos que são a Ilha Reunião e a Ilha de Mayotte.
2/ A França tem uma actividade marítima variada na região: segurança com os seus navios de guerra, pesca com os seus atuneiros, ciências com os seus navios de pesquisa, cultura com as suas pesquisas arqueológicas submarinas, ambiental com a criação de áreas marinhas protegidas tal como nas Ilhas Glorieuses e de Mayotte, económica com as suas companhias marítimas presentes na zona, incluindo em Moçambique.
3/ Para além da região, a França é um Estado marítimo. É um dos quatro no mundo cujos navios de guerra estão em acção em todos os oceanos do globo. A França possui a segunda região económica do mundo em termos de superfície, graças aos seus territórios ultramarinos e ela está presente em todas as negociações internacionais sobre o mar. A França é o Estado que apresentou o maior número de processos junto da Comissão das Nações Unidas sobre a extensão da plataforma continental sobre a qual vamos falar durante esta semana. Poderíamos citar muitos outros elementos que sustentam esse qualificativo de " Estado marítimo" dado à França.
4/ Por fim e sobretudo, uma realidade nos é imposta: a França e Moçambique são vizinhos marítimos graças às Ilhas Esparsas francesas situadas no Canal de Moçambique (Juan de Nova, Europa, Bassas da India, Glorieuses). Voltaremos a falar delas no detalhe mais tarde, mas o facto é que essa vizinhança leva a que Moçambique e a França tenham uma responsabilidade comum no que diz respeito à protecção do Canal de Moçambique, quer se trate da segurança ou do meio ambiente. Essas questões devem estar inscritas na agenda de discussões entre os nossos dois países.

Constatámos nestes últimos meses um interesse cada vez mais acentuado pelas áreas marítimas sob jurisdição nacional, os seus recursos, o seu uso, a sua protecção e isso convenceu-nos do interesse em aprofundarmos os temas marítimos, juntos, centrando-nos nesta região Sudoeste do Oceano Indico e de forma particular no Canal de Moçambique.
Agradeço aos nossos parceiros moçambicanos por nos terem acompanhado até hoje e por participarem nestas mesas redondas; trata-se do Instituto do Mar e Fronteiras (IMAF) e do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI). Do lado francês um obrigado particular ao Serviço de Cooperação e de Acção Cultural da Embaixada bem como ao CCFM que muito trabalharam para que este evento fosse possível … e gratuito. Mas agradeço também a todos os organismos e instituições francesas, incluindo os da Ilha Reunião, que aceitaram o desafio e enviaram representantes. Não vou aqui citar nenhum porque são numerosos e citar uns seria arriscar-me a esquecer outros. Os senhores vão descobri-los no decurso das mesas-redondas.
Caros amigos, podem imaginar a dificuldade que é organizar um evento como este e a impossibilidade para nós de gerir completamente a participação de todos os oradores. Alguns com quem contávamos de forma segura ainda ontem, informaram-nos da sua ausência no último momento. Faremos o melhor possível sem eles. Lamento também que outros não tenham ousado experimentar a aventura marítima connosco, tal como o poderia ter feito o sector privado. Isso vai impedir-nos de dar toda a atenção ao aspecto económico do desenvolvimento marítimo tal como o mostra o programa.
Este colóquio é o vosso e nós contamos com uma participação permanente do público através de questões, observações e comentários.
Desejo-vos uma boa semana, desejo-nos uma boa semana.

Dernière modification : 30/04/2014

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