Alocução do Senhor Cyril GERARDON, Encarregado de Negócios da República Francesa Por ocasião das exéquias fúnebres do Pr. Doutor Gilles CISTAC

Há uma semana exactamente, o Professor Doutor Gilles CISTAC foi brutal e covardemente assassinado, no centro de Maputo. Os seus assassinos agiram em pleno dia. Eles conheciam os hábitos do Professor CISTAC e haviam premeditado o seu crime. Até hoje, infelizmente, eles não foram detidos.

Logo que se teve conhecimento da terrível notícia, os primeiros pensamentos do conjunto dos trabalhadores da embaixada foram para a sua família, para a sua filha Rosimele, para os seus pais Jacques e Jacqueline, que chegaram de França ontem, e para o resto da sua família, que espera pelo seu corpo em França, na região de Toulouse. Nós partilhamos a sua imensa dor. Nós estamos, tal como todos vós, chocados com o sucedido. A nossa vontade foi a de acompanhar a Rosimele, a Jacqueline e o Jacques para que não se acrescentassem dificuldades materiais e administrativas à dor de ter perdido tão injustamente o ser que lhes era mais querido no mundo.

O Governo francês, através da embaixada, está determinado a ajudá-los tanto quanto possível, especialmente no processo judicial que vai iniciar-se, esperando que a verdade seja desvendada o mais brevemente possível sobre os autores do assassinato e os mandantes.

O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros e Desenvolvimento Internacional, S.E. Senhor Laurent FABIUS, abordará o assunto na Quinta-Feira em Paris com o seu homólogo, S.E. Senhor Oldemiro BALOI, na presença do nosso embaixador.

Magnífico Reitor,

A comunidade francesa de Moçambique tinha uma grande estima pelo Vosso colega Gilles CISTAC. Era um dos Franceses com mais antiga presença aqui, um daqueles dentre nós que conheciam melhor o Vosso país. Ele era um traço de união entre a França e Moçambique.

Gilles CISTAC era também Moçambicano. Chegado ao Vosso país em 1993 no âmbito de uma missão por parte do Governo francês, ele apaixonou-se por Moçambique. Em 15 anos, ele trabalhou incansavelmente para formar estudantes, efectuou assessorias para as autoridades deste país e partilhou as suas ideias sobre o direito, através de numerosos estudos e intervenções nos Mídias. Esta obra valeu-lhe o mais belo reconhecimento por parte do Vosso país, o de receber, em 2010, a nacionalidade moçambicana. Desse passaporte moçambicano, ele tinha muito orgulho.

Gilles CISTAC não tomava a palavra aqui como um estrangeiro dando lições. Ele tomava-a como um cidadão moçambicano independente que reflectia, que votava e que queria um Moçambique mais justo. Ele defendia o respeito pela Constituição e pelas leis deste país, nada mais. Ele queria o debate, e não o combate.

Ele não merecia ser insultado ou tratado de espião em público. Ele não merecia o ódio que alguns manifestaram para com ele. Todos aqueles que, incapazes de debater com ele com argumentos de direito, preferiram o insulto, a rejeição, as acusações e a intolerância, devem hoje questionar-se sobre a sua responsabilidade moral face a este drama.

Dernière modification : 10/03/2015

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